sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

O poço [parte I ]


No poço não podia cantar, não podia dançar
Olhos abertos ou fechados, tanto fazia
Não dava nem pra saber se era noite ou dia
O céu ou o chão, eu nada podia ver
Estava tampado, e o ar era pouco.
Eu sabia que dentro em pouco ia acabar.
O poço não era o inferno, não era o céu
Era um pequeno pedaço dentro do mundo
onde eu mesma tinha conseguido me enfiar.
No fundo, e naquele fundo de poço, a culpa não era de ninguém, era minha.
Eu não tinha armas pra lutar, nem em minha cabeça.
O poço havia me engolido [para sempre, eu pensava] mas porque eu deixei.
Se eu não tivesse ido olhar, não tivesse arriscado, ele não poderia me puxar.
Na lei do retorno eu pensava, na inocencia eu pensava, no ódio eu pensava, e era essa ladainha sem fim que, sempre e sempre ganhava o controle sobre mim.
Lágrimas no primeiro dia.
Mesmo sem dormir, no segundo também.
No terceiro, já tão cansada e pequena, respirava fraca, já me entregando a salvação
que parecia mais segura, mais breve e sem dor. Enfim adormeci.
Um sono profundo, o sono dos que sofrem. Acredito numa fórmula mágica que nos é transmitida nesse sono, mas da qual jamais nos recordamos, apenas abrimos os olhos e já sabemos como seguir. E era isso.

Nenhum comentário: