quinta-feira, 7 de junho de 2012

A [Tragédia?] do Édipo


"Eu é que não vou deixar a oportunidade escapar, o tempo passar.
Ver tudo perdido por não lutar.
 A idade é a ferramenta a lapidar o diamante, e tem gente que teima em a repudiar.
Quem sou eu pra julgar?
Eu quero é mais: enfrentar o medo, enfrentar o tempo, enfrentar a vida. Mesmo sem saber o que vou encontrar. Afinal, se não for tão bom assim, o caminho compensa. Sou  a melhor pessoa que posso ser, e saber quem eu sou e o que eu quero não tem preço. Ai daqueles que não sabem o que querem, triste sina!
Aos loucos e perversos, confusão e glória. E a nós, resta a angústia, o corte do qual ninguém se livra. Que fazer com ela senão transformá-la em ferramenta de impulso? É a angústia que não me deixa em paz, e me faz ser mais a cada dia. Correr atrás.
É isso aí, Sr. Freud: eu amo meu sintoma.
É como a canção diz:
'E se o que eu sou é também o que eu escolhi ser, aceito a condição.'"

2 comentários:

Silas disse...

Você assimilou mesmo o paradigma da psicanálise, não foi? Acho que não tem jeito, cada um acredita no que de fato vive.

Tem um texto de jung (http://www.clinicapsique.com/doc/adivergencia.doc) fala justamente o que quero dizer, e, nesse comentário, trago o trecho relevante caso você não queira ler.

"Nossa psicologia é uma confissão de alguns poucos, formulada de modo mais ou menos feliz; e na medida que eles integram mais ou menos um tipo, sua confissão pode ser aceita por muitos outros como descrição bastante válida. Podemos concluir também que àqueles que apresentam outro tipo, mas que pertencem ao gênero das pessoas humanas, aplica-se também esta confissão, ainda que em menor proporção. O que Freud tem a dizer sobre a importância da sexualidade, do prazer infantil e de seu conflito com o "princípio da realidade" é, em primeiro lugar, a mais verdadeira expressão de sua psicologia pessoal. É uma formulação feliz daquilo que observou subjetivamente. Não sou um opositor de Freud, ainda que a visão míope dele próprio e de sua escola insistam em qualificar-me dessa forma. Nenhum psiquiatra experimentado pode negar ter vivenciado dúzias de casos cuja psicologia condiz com a de Freud em todos os aspectos essenciais. Por isso Freud contribuiu, exatamente com sua confissão mais subjetiva, para o nascimento de uma grande verdade humana. Ele mesmo é o exemplo clássico de sua psicologia e dedicou sua vida e trabalho à realização dessa tarefa.
Nosso modo de ser condiciona nosso modo de ver. Outras pessoas tendo outra psicologia vêem e exprimem outras coisas e de outro modo. Isto o demonstrou logo um dos primeiros discípulos de Freud: Alfred Adler. Ele apresentava o mesmo material empírico de um ponto de vista bem diferente, e sua maneira de ver é, no mínimo, tão convincente quanto a de Freud, porque também Adler representa um tipo de psicologia que encontramos com freqüência. Sei que os seguidores de ambas as escolas me consideram, sem mais, no caminho errado, mas a história e os pensadores imparciais me darão razão. Não posso deixar de criticar as duas escolas por interpretarem as pessoas demasiadamente pelo lado patológico e por seus defeitos. Exemplo convincente disso é a impossibilidade de Freud de entender a vivência religiosa.
Eu prefiro entender as pessoas a partir de sua saúde e gostaria de libertar os doentes daquela psicologia que Freud coloca em cada página de suas obras. Não consigo ver onde Freud consegue ir além de sua própria psicologia e como poderá aliviar o doente de um sofrimento do qual o próprio médico padece."

Não se trata daqueles conceitos de arquétipo, sincronicidade ou seja lá o que for na teoria de Jung que eu defendo, mas um posicionamento que em primeiro lugar não põe em ênfase o patológico, a angústia, como se esse fosse o centro inevitável do existir. Eu não sinto como se a angústia seja minha fonte de motivação. Minha fonte é uma vontade irresistível de descobrir e criar. Em segundo lugar, acho relevante que não se tente reduzir um princípio ao outro. Isso é pura presunção. Eu poderia dizer que esse corte de que você fala na verdade é força criativa mal canalizada, ou o processo de individuação que não está acontecendo apropriadamente. Mas me dou por satisfeito com a descrição que você dá. Afinal, que direito eu tenho de pegar um princípio que parece se aplicar perfeitamente a mim e empurrá-lo pra você?
A beleza de amar, pra mim, está justamente aí. Cada um funciona segundo princípios próprios e ainda assim há aceitação e aprendizado mútuo.

Pathfinder [*Girl!] disse...

Você é uma pessoa que não me vejo odiando, Silas. Eu nem sei se você sabe o quanto eu concordo com você. Ultimamente não tenho falado o suficiente. Eu concordo com o que você disse sim, sobre a confissão e sobre o condicionamento. Também acho que seja assim. Mas saber que é uma confissão da nossa experiência mostra o quanto isso está enraizado. Eu não tento convencer ninguém, e é tão provável que alguém me convença do que o contrário. Só quero que saiba que eu respeito muito suas opiniões, e me esforço muito para entender o que às vezes eu não entendo mesmo. Meu alívio é saber que não acabaremos como Freud e Jung huahuha... Seja sempre o meu amigo Sheldon, é o que importa. =]